quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O ator e o ato teatral

De frente para o espelho sendo maquiado lentamente. Começo a colocar o figurino, peça por peça; observando todos os detalhes interiores e exteriores.
A pulsação já não é mesma, faço uma viajem com meus pensamentos á vida do meu personagem, e o que faria no lugar dele. Neutro e com muita calma ele vai surgindo ganhado espaço, formas, vida.
Com um objetivo forte nas circunstâncias propostas, entrelaço pensamentos entre seu mundo e o meu mundo, que é um só.
Foco o olhar em um ponto, lançando contra ele variados tons, textos sussurrados que ocupa todo o espaço.
A voz vibra como nunca, o sangue corre como nunca, seguro como nunca. Começo agir e pensar como ele.
Caminho ate o palco, fico alguns minutos em silêncio, busco o equilíbrio, a neutralidade e a concentração.
Começo a ocupar todo o espaço com vários focos, passos firmes e rápidos alcançando o limite máximo, paro no centro do palco, deito-me no chão, controlo minha respiração que palpita por um suspiro e outro...
Absolvo toda a energia que flui em todo o espaço.

Estar vazio, neutro, está vazio!
Levanto-me, o suor escorre pelo rosto o olhar transforma-se, o corpo fala, é a pura presença do outro. Momento de muita tensão e leveza é a força impulsionando a ação física e psicológica no estado interior de criação.
É ele, o personagem ganhando vida, personalidade, desejos, sonhos e movimentos.
Ato de definição do oposto ou do parecido, do próximo, do distante.
Logicamente definido o encontro do ator e seu personagem, agindo com uma fé inabalável em todo o espetáculo jogando com os outros personagens, com o seu publico... Ardendo por dentro transmitindo novas vibrações que se reúnem causando outras impressões e percepções lógicas.
Por trás da mascara ouvi e observa tudo. Ausente, oculto, presente, jogam entre si; traduzidos em uma bela arte cênica. Convencendo todos da realidade do espírito humano, o espetáculo acaba todos de pé, aplaudem sem parar, e todo o elenco agradece.
As cortinas se fecham, nada fica a não ser a memória de quem viu, e mesmo assim essa memória tem vida curta.
E assim vivo feliz com meus tantos personagens, onde o único que temo é a mim mesmo.

Ray Cenna Rabello(modificado)


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!



Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quando termina uma amizade?

Pode ser que, diante dessa pergunta, muitas respostas tenham vindo à sua cabeça: Quando há traição; quando uma das pessoas se muda para outra cidade; quando a outra pessoa começa a namorar; quando um se decepciona com o outro. Enfim, uma série de conclusões prontas. Todos os motivos que foram citados não são determinantes para uma amizade terminar, pois se esta é verdadeira, ela está fundamentada e o verdadeiro fundamento supera tudo. Mas, infelizmente, há uma razão bem concreta para uma amizade terminar: quando ela deixa de ser amizade!
Alguém pode nos dar um sei lá,presente, e nunca tentar tomá-lo de volta. Mas nós podemos pegar esse presente e jogá-lo na parede, quebrá-lo, estragá-lo. É exatamente isso que acontece com a amizade. Recebemos ei-la, e somos nós quem estragamos tudo. Esse tipo de relação não é amizade. Podem até chamá-la dessa forma, mas, na verdade, muitas vezes, não passa de apego, conveniência, interesse, carência mútua, codependência afetiva, status social, coleguismo, sociedade, associação ou qualquer outra nomenclatura para relacionamentos afetivos que não ultrapassam a sensibilidade, as emoções, os interesses pessoais, sejam eles os mais nobres ou os mais deploráveis, mas, independentemente disso, se limitam exclusivamente aos nossos interesses.
Esses tipos de relacionamento realmente acabam, pois estão baseados em propósitos, em metas – positivas ou não – que se esgotam com o passar do tempo. 
Quando se alcança o objetivo definido, os que estão envolvidos naturalmente se separam e tudo acaba. Quando a essas relações muito sentimento é associado, o estrago é muito maior. Quem está envolvido não consegue ou não quer enxergar que aquele relacionamento é prejudicial e insiste em seguir adiante só prejudicando a outra pessoa. Tudo se reduz a uma compensação de carências; feridas que se encontram e só crescem juntas; um sentimento de posse destrutivo em graus menores ou maiores; nada que se aproxime de algo que deveria chamar A-M-I-Z-A-D-E.
A tal amizade só acaba quando deixa de ser amizade, Por quê? Porque realmente sujeitou-se à situações, fatos dos quais citados antes em relação a interesses pessoais.

Se ao ler esse texto você disser que a sua amizade acabou, algumas perguntas você deverá se fazer: Acabou mesmo ou está passando pelo processo normal de temporização, pelo qual todo relacionamento passa para amadurecer? Ou pior: por causa das dificuldades, dos sofrimentos do amadurecer, você preferiu, por fraqueza, desistir do dom Amizade? É preciso ter coragem para se olhar no espelho e se questionar.
Se acabou, talvez essa amizade não fosse AMIZADE, não passasse de uma caricatura.

 

Quando termina uma amizade?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quando começa uma amizade?


Talvez essa seja a grande pergunta que incomoda tanto aqueles que têm amigos quanto aqueles que querem vir a ter um. Os que os têm querem entender de que forma alguém ganhou tanto espaço em sua vida; os que não os têm, querem saber como um amigo pode surgir em sua vida.


Por experiência própria, posso afirmar que amigo nunca é alguém que você escolhe. Amizade é dom, vem de Deus e por isso mesmo, muitas vezes, se manifesta em nossas vidas de maneira surpreendente. Amizade se arriscada a ser escolhida tem tempo de validade. Não escolhe.
Amizade é um processo que pode ser construído com anos ou com minutos. O tempo não importa quando falamos de amigos. Amizade não conhece tempo. Ela vive em um período de graça que você não sabe quando começou nem quando vai acabar. Vive em um tempo que não tem tempo. Quando você percebe, aquele que até então era só mais um, traz agora uma visão sua que você mesmo não conseguia ver.
Quando começa uma amizade? Quando eu paro de buscá-la por mim mesmo e deixo que o tempo me surpreenda com o que ele tem de melhor. Esse tempo é Deus.Ele vem e não me deixa caminhar sozinho. Ele me dá um companheiro de viagem, alguém que possa olhar e entender tudo o que se passa comigo, sem que eu necessite lhe dizer uma só palavra.



Quando começa uma amizade?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ah se soubessem...

Ar livre. Liberdade. Atitudes férreas. Satisfações convictas. Recordações verdadeiras. Prazeres inigualáveis. Admiração humana. Interessante! Sem intenção de questionar, mas me pergunto... O que é admiração?
- Acorda filho, ta na hora de ir pra Faculdade!
-Ah, mãe! 5 minutos a mais?
-AGORA!
-Shit (Sonhos, que inefectivos! Mas resta saber o que é admiração. Ninguém sabe responder a tal pergunta vazia, que está nas entranhas de um porão vazio, em meio a urdiduras de aranhas. Tolice não. Instinto imperativo sim. Quanto mais eu sei, mais eu sei que ainda nada sei. Curioso por coisas novas, descobridor de ilhas caribenhas. Não atrevo a querer descobrir tudo, pois o “tudo” é muita coisa, das quais quem sabe, benevolência alguma caberia a eu descobrir. Não consigo abraçar o mundo com as mãos, mas com minhas mãos sei que posso construir muito no mundo. Fato. Não me interessa respostas superficiais. Espero o que de mais complexo eu possa ouvir, melhor.)
-Você vai se atrasar, não vou mais falar.
- To ligado mãe. Calma! Estou indo pro banho. (Já sonhei demais com coisas demais esse ano. Tão bem começado, mas tampouco logrado. Acordei com o pé direito, tudo mudará. Melhor, tudo não... Muita coisa. Admiração são semelhantes a dotes. Se adquiri, foi porque conquistei. Conquistei o que procuro por respostas concretas. Não há mais que uma chance para definir o que sei, em expressão. Eis a chance. Apenas uma pra beneficiar uma sobrevivência em espaço forjado de influências. Não preciso que ninguém me compreenda, apenas saibam abrir a boca na hora certa, com palavras certas.  
Universitário. Busca de cognoscere. E uma faixa aos calouros, “Vocês sabem o que é admiração? Os Veteranos te ensinarão!” Então... Veteranos da sabedoria (mundo) candidatam-se a lecionar definições às palavras que faltam respostas?


Admiro tudo isso. Tudo não... Muita coisa. Sonhos inefectivos.




quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rock in Rio 2011


“Confirmado: @EltonJohndotcom, @Rihanna, @KatyPerry e @ClaudiaLeitte cantam no dia 23/09, primeira noite do #RockinRio2011″, escreveu os organizadores do evento.

Na programação serão 108 artistas divididos em 6 dias temáticos, como rock, alternativo, pop, entre outros. No palco principal, intitulado de Palco Mundo, serão cinco apresentações por noite, com um intervalo de meia hora entre cada uma das atrações.
Para o dia 24 já estão confirmadas as atrações Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Capital Inicial, NX Zero e Stone Sour. No dia 25 a animação fica por conta dos grupos Metallica, Slipknot, Motörhead, Coheed and Cambria, Sepultura e Angra. Já Coldplay e Skank se apresentam no dia 1º de outubro.

Nomes como os de Shakira, Lady Gaga, Radiohead, Iron Maiden e Guns N’ Roses também estão cotados para a festa. Entre os nacionais, além dos já citados, todos os outros artistas que participaram da coletiva de imprensa (16 de agosto do ano passado, no Rio de Janeiro) estarão no festival: Frejat, Jota Quest, Ivete Sangalo, Pitty, Toni Garrido, Sandra de Sá, Ivo Meirelles, entre outros.



O Rock in Rio já foi realizado em nove edições, sendo três delas no Brasil (1985, 1991 e 2001), quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010). Este ano a expectativa dos organizadores é receber cerca de 720 mil pessoas.

Quem resmungou que atores de TV não são adeptos ao Teatro?

Para se livrar do rótulo de “artistas de TV”, intérpretes se ariscam montando clássicos da dramaturgia.

 
O que Harold Pinter, August Strindberg e Sam Shepard têm em comum? Para além de figurarem no panteão dos grandes da dramaturgia universal, esses autores se tornaram o alvo preferencial de alguns intérpretes. Mas não de quaisquer intérpretes. Carimbados com a pecha de galãs e mocinhas, muitos agora tentam se livrar do estigma seguindo o mesmo caminho ditado pelos norte-americanos.
Se, por lá, vingou a moda de trocar os estúdios de Hollywood pelos palcos na Broadway, aqui se torna cada vez mais freqüente o movimento de recorrer a consagrados textos do teatro.
Em papéis notoriamente “difíceis”, atores e atrizes da TV tentam comprovar seus dotes. Ou, simplesmente, buscam meios de se experimentar nas artes dramáticas. Reynaldo Gianechinni pôs um ponto final em seu papel na novela Passione e já tem pressa em entrar na sala de ensaio para se dedicar no estudo da personagem Gustavo, protagonista de Cruel - uma adaptação do clássico de August Strindberg, Os Credores. Estréia prometida para Junho. Além de Gianechinni como protagonista, o diretor da peça Elias Andreatto apostou em Érik Marmo para antagonista.
Além dele, há alguns outros que estão lançando-se no arriscado território da “alta dramaturgia”. Primeiro, Thiago Lacerda mergulhou na loucura descrita por Albert Camus em Calígula(apresentada há pouco tempo em Campo Grande). Depois, foi a vez de Malvino Salvador a se lançar, conhecido quase exclusivamente por suas aparições em telenovelas, mudar de lado e surgir como o soturno protagonista de Mente Mentira, de Sam Shepard.
Cansada de bancar a boa moça, Maria Fernanda Cândido travestiu-se de malvada em Ligações Perigosas, de Christopher Hampton. E Paula Burlamaqui resolveu buscar em O Amante, de Harold Pinter, uma peronagem sob medida. “Já tinha feito muitas peças, mas nunca exatamente aquilo que eu queria fazer”, comenta a atriz, que abre temporada do espetáculo no Rio em Março.
Portas fechadas: Se a fama conquistada na televisão abre muitas portas, é unânime entre esses artistas a percepção de que ela também fecha outras tantas. “Existe uma cobrança sobre eles que, às vezes, é muito maior do que aquela que cai sobre ‘gente do teatro’”, constata Andreatto(Diretor de Cruel), “É imenso o preconceito que existe contra o sucesso, contra a beleza. Parece que o sujeito tem que provar mil vezes que é ator.”
A atriz Maria Fernanda Cândido, confirma a existência do preconceito, mas minimiza seus efeitos. “Já escutei muitas vezes: ‘Você me surpreendeu’. Talvez digam isso porque não acreditavam em mim. Mas não me incomoda.”


Malvino Salvador em Mente Mentira

Maria Fernanda Cândido em Ligações Perigosas


Thiago Lacerda em Calígula

Paula Burlamaqui em O Amante
 "No Teatro é um momento de formar repertório, de exercitar certas coisas que você poderá acessar depois. Toda vez que vou para o teatro, volto com mais recursos.” - - Reynaldo Gianechinni

“O Teatro te apressa para a pressa da televisão” - Reynaldo Gianechinni

“É imenso o preconceito que existe contra o sucesso, contra a beleza. Parece que o sujeito tem que provar mil vezes que é ator.”  - Elias Andreatto

“Sou contratado de uma emissora e isso é confortável. Mas queria fazer algo que falasse à minha essência. Gosto de sentir que tenho algum grau de domínio sobre o rumo da minha carreira” - Malvino Salvador. Após ficar 6 anos em busca de um texto que o instigasse, montou uma das mais complicadas e festejadas criações do norte-americano Sam Shepard."